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domingo, 5 de fevereiro de 2017

Maternidade - Sofre com as visões antigas?

As últimas décadas do século XX foram marcadas por alterações nos valores, práticas e papéis sociais desempenhados pelos indivíduos. Hoje, as mulheres das camadas médias e altas vêm conseguindo uma inserção social cada vez maior e, aos poucos, vêm alcançando uma situação de relativa igualdade com os homens, pelo menos no espaço público.
Atualmente, o adiamento da maternidade tornou-se um fato comum entre aquelas com uma carreira profissional. Existe uma coincidência entre os melhores anos na vida da mulher para a construção e consolidação de uma carreira e os melhores anos para que ela tenha filhos. As mulheres engajadas em sua ascensão profissional muitas vezes não querem interrompê-la em prol da maternidade, pois a carreira – assim como os cuidados envolvidos na criação de um filho, especialmente em seus primeiros anos de vida – exige uma dedicação quase que integral. A maternidade, desta forma, acaba por ser postergada.
O adiamento da maternidade, esperando firmar-se profissionalmente e conseguir independência econômica, se estende, em alguns casos, por tanto tempo que as condições apropriadas nunca chegam, ou somente advêm quando a gravidez passa a ser de risco, e, então, o projeto de ser mãe pode tornar-se praticamente inviável para elas.
Com o surgimento da pílula anticoncepcional e a maior eficácia dos métodos contraceptivos, pode-se dizer que as mulheres – pelo menos as dos segmentos sociais mais altos – se tornaram responsáveis por sua sexualidade, podendo optar por ter ou não filhos e por quando tê-los, ou seja, elas se perguntam o que efetivamente querem e não mais cumprem um destino que lhes cabe pelo simples fato de terem nascido mulher. Antes voltadas para os desejos dos outros – um dos pilares da subjetividade feminina –, para a satisfação daqueles à sua volta, elas se voltam agora para seu crescimento e desenvolvimento pessoais, começando a produzir sua própria palavra e a consolidar progressivamente práticas sociais transformadoras, ainda que, algumas vezes, a um elevado custo, tanto social quanto subjetivo.
No que diz respeito à opção por ter ou não filhos, apesar das mulheres percebem grande mudança na sociedade com relação à antiga visão de que, para ser completa, uma mulher tem que ser mãe. O fato de que a mulher que não tem filhos ainda é vista como uma "coitada", uma "pessoa inferior", alguém que não conseguiu cumprir o seu principal papel.
Assim, podemos dizer que algumas mulheres atualmente começam a desconstruir antigos determinismos sociais, conseguindo impor suas opções pessoais sobre essas exigências ainda tão fortemente presentes no discurso social. Parece que as opções abertas às mulheres continuam a se expandir, mesmo que essas novas escolhas ainda tragam para elas muitas dúvidas e conflitos. Podemos concluir afirmando que diferentes possibilidades começam a se abrir às mulheres de hoje. Um longo caminho, contudo, ainda necessita ser percorrido para que antigas visões que sempre constrangeram as escolhas femininas sejam de todo erradicadas.

sábado, 29 de outubro de 2016

A velhice: A realidade incômoda.

Durante a graduação, tive a oportunidade de estagiar dentro da universidade, grupo de idosos. O nome deste grupo era UAM- Universidade do Adulto Maior. Cada idoso matriculado nesta disciplina, vinculado a instituição Metodista do Sul- IPA, proporcionava um grupo operativo como espaço de reflexão.
Trabalhar com idosos, mostra a desadaptação e o descaimento que lhes são impostos. Perceber o quanto a velhice os obriga a atos de renúncia diante das novas situações vividas, levando-os a uma falta de confiança e esperança, que os tornam alienados e desmotivados perante a vida. Néri (2000, p.92) afirma que:
"Ao envelhecer, as pessoas se confrontam com novos desafios e novas exigências. As limitações físicas são acrescidas àquelas que a sociedade coloca, como os preconceitos e os estereótipos, e o grande desafio é construir permanentemente o próprio caminho e desenvolver atitudes que as levem a superar suas dificuldades, integrando limites e possibilidades de conquistar mais qualidade de vida.
            
        A velhice tem de passar por situações de aprendizagem, muitas vezes, imposta pela situação social e física em que vive, tem de aprender a ajustar sua vida à perda do vigor físico, à redução salarial e à falta de controle do que lhe restou. Obriga-se a lidar com a ausência de seus familiares, a estabelecer relações sociais com pessoas da mesma idade, e às vezes em piores condições físicas. Além disso, necessita ajustar-se a um novo comportamento sexual, desenvolver uma adequada filosofia de vida que o prepare para enfrentar a morte (BEAUVOIR, 1976).
Em alguns fatores psicológicos, físicos e sociais que nos levaram a refletir ao interesse em atuar nessa lacuna, que fica entre a perda dos familiares e a adaptação na instituição asilar. Entre esses fatores, destacam-se os seguintes:

• perda da identidade;
• baixa auto-estima;
• diminuição de atividades físicas e até a completa inatividade,por problemas de saúde ou por falta de oportunidade de realizar pequenos exercícios físicos;
• perda da capacidade laborativa uma vez que não é permitida a realização de pequenas tarefas dentro da instituição;
• perda do controle de suas próprias finanças, visto que, não é facultado aos mesmos o controle de sua própria aposentadoria;
• distanciamento do mundo externo;
• poucas oportunidades de lazer.

A carência de atenção e têm grande dificuldade em lidar com suas perdas, e ao mesmo tempo resistência a novas situações. A tristeza parece traduzir o fato de não mais ser alguém e não poder contar com seus antigos companheiros. Isto os leva a viverem no passado, como se quisessem amenizar a angústia que sentem com a realidade. Ao se sentirem excluídos do meio social, afasta-se de atividades grupais.
Por fim, neste sentido, cabe a nós profissionais da saúde mental, promover ações para melhoria da adaptação a esta situação e conseqüentemente, da qualidade de vida dos idosos institucionalizados.
A importância com a realização das sessões psicoterápicas, uma evolução do trabalho pelo vínculo de confiança que irá se estabelecer entre os membros do grupo, terapeuta, co-terapeuta e observador. Esses vínculos passarm a ser para os elementos do grupo uma forma de segurança, apoio e compreensão, surgindo então sentimentos de pertença.
        O grupo propõe a ser um espaço para dividir as angústias, como também para melhor conhecer o outro. Muitas das dificuldades enfrentadas por eles eram comuns a todos, como abandono, perda de familiares, problemas de saúde, entre outros.  Cada participante pôde, de certa forma, resgatar sua identidade, validando sua história e sua vida, ou seja, reconstituindo o “Eu”. 

Referências:

BEAUVOIR, S de. A velhice: a realidade incômoda. 2.ed. Rio de Janeiro-São Paulo: Difel/Difusão Editorial S.A., 1976.

NERI, A. L; FREIRE, S. A. (orgs.) E por falar em boa velhice. Campinas, SP: Papirus, 2000.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Como brincar com crianças surdas?

Entender o significado do brinquedo e do brincar é um caminho necessário e útil para poder conhecer a criança e o seu processo de desenvolvimento. O brinquedo não é um mero divertimento, ele é sério, e, a criança ao jogar, mergulha fundo em seu jogo, em um mundo à parte, no qual o mundo do adulto não tem mais lugar, é um outro universo. A criança é criança porque ela brinca (Volpato, 2001).
A partir das palavras do Volpato, podemos compreender através da cultura surda que já citei no blog, o brincar integram-se ao cotidiano das pessoas sob várias formas, sejam elas individuais, sejam coletivas, sempre obedecendo ao espírito e a necessidade cultural de cada sujeito. Percebe-se que o brincar é definido por uma cultura preexistente que o leva a ser uma atividade cultural que presume a aquisição de estruturas que a criança assimilará à sua maneira em cada nova atividade lúdica, ou seja, para brincar é necessário possuir os pré-requisitos para o brinquedo que são a sua cultura específica. Trata-se de uma atividade que permite atribuir outros significados à vida cotidiana.
Se a criança não sabe brincar, poderá se tornar um adulto que não sabe pensar, pois a alma e a inteligência crescem na criança por meio do jogo, do brinquedo. Portanto o objetivo da infância é treinar pelo jogo as funções, tanto psicológicas quanto físicas, pois o jogo é o centro da infância (Palladino, 1999).
Com relação à importância do brincar para o desenvolvimento infantil, a atividade implica a presença de regras e ações imaginativas, ainda que esses componentes não estejam igualmente envolvidos em diferentes modalidades de brincadeiras. No caso do faz-de-conta, a imaginação é uma característica central, que corresponde a uma crescente libertação do perceptual-imediato.
Ao considerar a surdez uma diferença, não existe uma patologia nem uma inferioridade do sujeito em relação aos demais. Essa diferença recai sobre a ênfase no desenvolvimento de recursos próprios para interagir com o meio, até mesmo por meio de uma língua própria que permita ao surdo expressar-se. A autora considera a surdez a partir do modelo sociocultural no qual ela é vista como uma diferença em relação à comunidade ouvinte e não como uma deficiência. A deficiência é algo patológico em que o insucesso na aquisição e o desenvolvimento da língua padrão oral, como nas atividades escolares, é atribuído à própria deficiência, que limita a capacidade dos sujeitos (Almeida, 2000).
A linguagem no brincar da criança surda é um tema que tem recebido pouca atenção e que merece um esforço investigativo maior, pois envolve uma forma de atividade peculiar à infância, de grande relevância para a formação do sujeito. O estudo do âmbito das ações imaginativas pode somar esforços no sentido de ampliar a compreensão do desenvolvimento na surdez e contribuir para a discussão crítica das condições sociais oferecidas para esse desenvolvimento.
Por fim, cabe salientar que o método clínico é lingüístico discursivo. O brincar, tal qual concebido, detém função clínica desde o processo diagnóstico e adentra a terapêutica enquanto técnica, instrumental ou recurso propulsor para a dialogia, como mencionou Palladino (1999) ao afirmar que o brincar emerge no espaço onde existe a palavra, como possibilidade de a criança transitar na polissemia, de operar simbolicamente. O brincar no atendimento clínico, funciona como técnica, possibilitando por meio do método clínico entender as mudanças na linguagem da criança.
Hoje em dia, pode-se observar maior aproximação entre a Psicologia, fonoaudiologia e a educação, pela expansão das ações no contexto escolar. A Psicologia vem buscando com o passar dos anos melhorar sua atuação a fim de resgatar o papel social voltado à promoção da saúde na escola. As instituições voltadas para a educação e o atendimento de pessoas com deficiências necessitam do atendimento clínico em função da sua clientela. Durante o trabalho terapêutico, fortalece a relação com a escola discutindo os dados de evolução da criança, as dificuldades que permeiam o trabalho e os progressos apresentados.
A escola deve ser vista como um local privilegiado de observação em que ocorre um encontro do psicólogo, fonoaudiólogo com as crianças, professores e famílias. Isso leva esse profissional a direcionar o olhar para as crianças que apresentam comprometimento na comunicação oral e/ou escrita com o intuito de minimizar as diferenças. Observar como as crianças brincam na escola pode ser início do tratamento, ou seja, é a partir dele que a criança começa. Por meio das brincadeiras é possível à criança projetar-se e também construir-se.

Referências:

Almeida, E. O. C. (2000). Leitura e surdez: um estudo com adultos não oralizados. Rio de Janeiro: Revinter.
Freire, R. M. A. (1990). A abordagem dialógica: uma proposta social em fonoaudiologia. Tese de Doutorado, PUC-SP, São Paulo.
Palladino, R. R. R. (1999). O jogo na atividade fonoaudiológica. Manuscrito não publicado.
Volpato, G. (2001). O que é brinquedo (3ª ed.). São Paulo: Brasiliense.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

As escolhas da vida.


As escolhas durante a vida, sempre nos apresenta de uma forma diversificada e às vezes, nos surpreendem. Há aqueles que tem suas preferências, como o inverno e aqueles que detestam, aguardando loucamente pelo verão.
Também tem aqueles, a paixão pela cidade barulhenta. Há também que não suportam uma semana sem cinemas, shoppings e confortos. Há porém aqueles que mal conseguem esperar o próximo feriadão para partir em direção a praia ou interior (campo).
Com estas “escolhas”, há também aqueles que não conseguem viver sem o companheiro, uma mulher, namorado, uma paixão. Em contrapartida, há aqueles que são solitários por opção, que relacionamentos amorosos são chatos, sofridos, e incomodativos. Mas será que é uma questão de “escolhas” ou estilo de vida?
O que será que acontece esta tal atitude, quando rejeitamos o relacionamento amoroso, traz consigo algum bloqueio, medo, limitação ou mesmo uma patologia da alma ?
Escolhas que sempre estão à nossa frente, nos deixando às vezes em um turbilhão de dúvidas e medos. Se aprendermos a escolher perceberemos que é a nossa vontade que cria nosso estado interno e externo. Se tivermos consciência disso, usaremos nossa vontade a favor de nós mesmos, pois ela pode restaurar-nos em segundos, se assim desejarmos.
A vida nada nos ensina, nós é que escolhemos o que queremos aprender com ela. E ai, vamos perceber que há jardins ainda não cuidados, e flores necessitando de cuidados nos campos interiores que nos habita.  
Reconhecer o tentar reparar o erro através de recursos disponíveis dentro de si mesmo, é ponto-chave para iniciarmos uma reforma da vida, a fim de definirmos um novo destino, uma nova conduta, uma nova estrada e assim reescrevermos a nossa estória, desta vez mais experientes. Para este fim, é necessária uma “auto reforma”. A auto reforma ou reforma pessoal, é um compromisso consigo na mudança.  
Assim como, na psicoterapia, é refletindo junto com o terapeuta, que cada ação traz resultados coerentes de acordo com o que foi feito e escolhido por cada um, não podendo ser diferente, será? No entanto, escolher exige responsabilidade e sacrifícios. Não podemos querer tudo e abraçar o mundo, mas é necessário fazer escolhas.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Crianças aprendendo com os próprios erros

Muitos pais desejam que seus filhos tenham o perfil de aluno exemplar é composto por notas altas, comportamento excelente e um ótimo relacionamento com colegas e professores. Mas, no dia a dia, sabemos que essa junção de qualidades e acertos não é fácil de ser alcançada e, na maioria dos casos, nem precisa ser.
Errar, falhar e se deparar com dificuldades faz parte do processo de aprendizagem e formação do cidadão. Os alunos precisam passar por experiências de falhar na escola, para que aprendam a se reerguer em situações mais delicadas na vida adulta. Como também, não é importante ter só a experiência de falhar, mas de poder fazê-lo em um ambiente seguro, para que a experiência possa ensinar algo ao aluno.
Cada estudante tem o seu tempo e suas caraterísticas individuais que devem ser respeitadas, por isso, não se pode esperar que todos os alunos alcancem ao mesmo tempo o desempenho almejado pela instituição. Para alguns, o percurso até a internalização do conteúdo pode ter erros e dificuldades e isso não pode ser encarado de forma negativa. O errar, não como um hábito ou um fim em si mesmo, mas como um processo natural composto por erros e acertos, é o que proporciona os aprendizados mais significativos, seja na escola ou futuramente na vida pessoal e profissional do estudante.
A difícil incumbência de não repreender os erros e sim ensinar as crianças e os jovens a lidarem com as falhas e dificuldades presentes no dia a dia escolar, faz parte da lista de desafios dos educadores nos dias de hoje.
Todos nós já erramos em algum momento da vida e até os gênios como Albert Einstein e Leonardo da Vinci erraram. Porém, o que fez com que eles se tornassem referência em toda a humanidade foi a capacidade de observar os próprios erros e a partir deles encontrar os grandes acertos, em vez de punir-se ou culpar-se por terem errado.
Sendo assim, o erro e a falha são naturais dos seres humanos e, desde que conduzidos de forma construtiva, podem contribuir e muito para o crescimento e formação integral do aluno. Por isso, é preciso que os educadores insiram em suas práticas pedagógicas a valorização do erro, permitindo que o estudante obtenha novos aprendizados a partir de onde ele falhou.
Parte-se do pressuposto de que a desmotivação interfere negativamente no processo de ensino-aprendizagem, e entre as causas da falta de motivação, o planejamento e o desenvolvimento das aulas realizadas pelo professor são fatores determinantes. O professor deve fundamentar seu trabalho conforme as necessidades de seus alunos, considerando sempre o momento emocional e as ansiedades que permeiam a vida do aluno naquele momento.
Satisfeitas as necessidades fisiológicas e de segurança, surge a social ou de participação. Como o homem é um ser social, precisa ter um grupo de convívio em que é aceito e desempenha um papel. Porém, esse papel não é qualquer um, surge, então a necessidade de estima, tanto a auto-estima como o reconhecimento pelos outros. A satisfação dessa necessidade produz sentimentos de confiança em si mesmo, de prestígio, de poder, de controle.
Quando não satisfeita pode produzir comportamento destrutivo ou imaturo para chamar atenção. O indivíduo pode se tornar rebelde, pode negligenciar seu trabalho ou discutir com os companheiros.
Colocar limites, também, é fazer a criança compreender que seus direitos acabam onde começam os direito dos outros; dizer sim, sempre que possível, e não sempre que necessário; mostrar que muitas coisas podem ser feitas e outras não; ensinar a tolerar pequenas frustrações, no presente, para que, no futuro, os problemas da vida possam ser superados com equilíbrio e maturidade. Muitos pais pensam, erroneamente, que dar limites é bater nos filhos, para que eles se comportem; ser autoritário; deixar de explicar o “porque” das coisas, apenas impondo “a lei do mais forte“; gritar com as crianças para ser atendido; invadir a privacidade a que todo ser humano tem direito etc.
             Assim como, é possível notar que as crianças passam por fases durante seu desenvolvimento e estas devem ser respeitadas pelos pais, professores, amigos, enfim, por todos à sua volta. É importante que, principalmente, os pais conheçam essas etapas do desenvolvimento, para melhor compreender seus filhos e suas atitudes. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A importância do papel do Psicólogo no tratamento do Câncer de Mama.

Apesar dos avanços da medicina no tratamento do câncer e do aumento de informações veiculadas pela mídia, o câncer ainda equivale, muitas vezes, a uma "sentença de morte", comumente associado a dor, sofrimento e degradação. O texto de hoje, nos mostra que o câncer sempre foi percebido como algo vergonhoso, sujo, contagioso e sem cura, sendo uma doença tradicionalmente relegada pela sociedade. O diagnóstico de câncer e todo o processo da doença são vividos pelo paciente e pela sua família como um momento de intensa angústia, sofrimento e ansiedade. Além do rótulo de uma doença dolorosa e mortal, o paciente comumente vivencia no tratamento, geralmente longo, perdas e sintomas adversos, acarretando prejuízos nas habilidades funcionais, vocacionais e incerteza quanto ao futuro.
Muitas fantasias e preocupações em relação à morte, mutilações e dor encontram-se presentes. No câncer de mama, além das preocupações citadas acima, encontram-se presentes outras angústias ligadas à feminilidade, maternidade e sexualidade, já que o seio é um órgão repleto de simbolismo para a mulher. Sendo assim, o anúncio desse diagnóstico, seguido pelos tratamentos, pode ocasionar abalos significativos na vida da paciente. Dessa forma, essa patologia é considerada um dos maiores problemas de saúde pública associado ao câncer em mulheres nesse país. No entanto, é um tipo de câncer que possui uma significativa possibilidade de sobrevida quando detectado precocemente.
Qualidade de vida é aqui definida como "um conceito multidimensional que é mensurado como uma avaliação subjetiva do status de saúde e do bem-estar em diferentes setores da vida, incluindo componentes físicos e psíquicos. Dessa forma, a atuação do psicólogo é fundamental ao longo do tratamento, já que sua prática visa o bem-estar emocional da paciente, contribuindo assim para uma boa qualidade de vida.
A partir do diagnóstico confirmado, a paciente vê sua vida tomar um rumo diferente do que poderia imaginar, já que o câncer pode acarretar alterações significativas nas diversas esferas da vida como trabalho, família e lazer. Dessa forma, acaba trazendo implicações em seu cotidiano e nas relações com as pessoas do seu contexto social.
Essa realidade que impera faz com que a paciente e seus familiares assumam papéis que não foram escolhidos e sim impostos pela fatalidade do adoecimento, interrompendo planos, ideais e perspectivas futuras. A constante adaptação às mudanças ocorridas devido ao adoecer torna-se necessária.
Por sua vez, saber que tem uma doença sem causa definida traz ainda mais angústia e culpa. Vislumbrar o futuro passa a ser muito doloroso, já que os tratamentos propostos implicam em possível mutilação, náuseas, vômitos, alopecia, além de alterações sexuais e reprodutivas, como a menopausa precoce.
 As questões mais comum são apresentadas e abordadas por ela: perda do controle sobre a vida, mudanças na auto-imagem, medo da dependência, estigmas, medo do abandono, raiva, isolamento e morte. O medo da progressão da doença e da recidiva6 são outras preocupações constantes.
Assim como, o psicólogo atuante na área da saúde visa manter o bem-estar psicológico do paciente, identificando e compreendendo os fatores emocionais que intervêm na sua saúde. Outros objetivos do trabalho desse profissional são prevenir e reduzir os sintomas emocionais e físicos causados pelo câncer e seus tratamentos, levar o paciente a compreender o significado da experiência do adoecer, possibilitando assim re-significações desse processo. Em sua atuação, o psicólogo deve estar atento também aos distúrbios psicopatológicos, como depressão e ansiedade graves. Sua prática é exercida em todas as etapas do tratamento, como dito anteriormente, habilitando o paciente a confrontar-se com o diagnóstico e com as dificuldades dos tratamentos decorrentes, ajudando-o a desenvolver estratégias adaptativas para enfrentar as situações estressantes. Por fim, o principal trabalho do psicólogo serão alcançados na medida em que esse profissional vai compreendendo o que está envolvido na queixa do paciente, buscando sempre uma visão ampla do que está se passando naquele momento não escolhido da vida dele

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Rejeição.

        A rejeição é um sentimento tão intenso quanto à dor, é natural sentir-se sozinho e abandonado, mas este sofrimento pode ser amenizado.
          A dor causada pela rejeição talvez seja um dos sentimentos mais difíceis de ser superado.Trata-se de uma dor tão intensa que se assemelha a dor física, mas não há medicamento que a cure ou comportamento que a previna. Não há uma resolução rápida, prática e pontual que possa dar conta dessa sensação. 
    O sentimento da rejeição pode aparecer a qualquer momento e em qualquer área da vida interpessoal: entre casais, amigos, família ou no ambiente escolar e de trabalho. Trata-se de um sentimento natural e cada pessoa sente a rejeição de uma forma diferente, variando de acordo com a educação recebida, a cultura e sociedade em que está inserida e a personalidade individual. 
          Todos as pessoas, em algum momento da vida,  já foram rejeitadas um dia: como namoro; no grupo de pessoas em que não se sentiu aceito; entre outros.
        Ainda que esse processo seja doloroso para todos, alguns conseguem superar esse fato com maior facilidade, outros sentem dificuldade e algumas vezes por não conseguir lidar com isso acabam se fechando para a vida.

Por que nos sentimos rejeitados? 
        O desejo de ser aceito e incluído em grupos sociais ou o desejo de viver um relacionamento amoroso é importante para o indivíduo, pois são nessas relações que ocorrem diversas experiências e vivencias para o amadurecimento humano. Entretanto, em alguns casos há uma excessiva importância dada à opinião e aos valores dos outros e a pessoa torna-se dependente de aprovações externas. Passam a agir de acordo com o que acreditam ser o desejo do outro, tendo a ilusão de que desta forma estarão seguras da solidão e de um possível abandono. Não é raro perceber que deixam de fazer coisas pelo medo de ser rejeitada, até por pessoas que não têm nenhuma ligação emocional.
     Com a falta de estrutura interna necessária para lidar sozinha com aquilo que pensa, sente ou deseja, a autoestima da pessoa tende a permanecer rebaixada, ficando mais vulneráveis à rejeição.
        Em geral a pessoa com a dor da rejeição sente-se ansiosa, magoada, ofendida ou com raiva de si ou do outro. Muitas vezes busca a qualquer custo entender o porquê da rejeição, e como não encontra nenhuma explicação que lhe faça sentido naquele momento, sente-se culpada e acaba se desvalorizando (“Será que eu falei ou fiz alguma coisa que a outra pessoa não gostou?” ou “Acho que não sou boa o suficiente”). Em alguns casos surgem também desejo de pose ou vingança (“Não vou admitir que aquela pessoa fique com mais ninguém”) ou ideias suicidas.  É preciso estar atento a estes sinais, pois muitas vezes a dor torna-se pesada demais para ser suportada sozinha e procurar ajuda para o tratamento adequado é essencial.
         Por fim, é natural que diante da rejeição surjam sentimentos de tristeza, solidão e abandono, mas é preciso estar consciente de que atribuir ao outro a responsabilidade integral pelo próprio bem estar, é sentir-se rejeitado cada vez que algo for negado. Acreditar que a outra pessoa deve assumir e suprir as suas próprias necessidades retrata uma atitude quase infantil e inconsciente de acreditar que são elas que devem comandar sua vida. 
         A psicoterapia poderá ajudar quem se sente rejeitado a compreender e elaborar este sentimento, entender que às vezes o outro pode dar ou não a resposta que deseja e como superar esta frustração. 
O processo psicoterapêutico poderá ajudar a pessoa a se tornar mais independente e responsável pelo seu próprio potencial para ser feliz. Por meio do amadurecimento e da descoberta de quais são os seus verdadeiros desejos e valores, este é um processo que auxilia na construção de recursos internos para lidar com limites e com o sentimento de frustração e impotência.