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quinta-feira, 2 de junho de 2016
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Você é um pai/mãe helicóptero?
Deve
estar se perguntando o que significa isso, pais helicópteros?. Pois então, todos
os pais tem o grande desejo maior, é ver a evolução dos seus filhos realizados
e felizes, e em geral não medimos esforços para isso. Mas tem certos casos, os
pais acabam se convertendo numa superproteção que impede os filhos em busca do
amadurecimento. Por isso, são chamados de pais helicópteros, que estão sempre
“sobrevoando” a vida dos filhos para afastar perigos e sofrimentos.
Este termo nasce da ideia de “sobrevoar” pela
vida dos filhos para evitar-lhes qualquer situação de
perigo e exercer controle sobre suas decisões. Para pais helicópteros, seu
filho sempre será um bebê, sem importar a idade que ele tiver.
Em grande medida, o desenvolvimento emocional dos filhos depende do
carinho, dos cuidados e da atenção que eles recebem dos seus pais, sobretudo nos
primeiros anos de vida. No entanto, uma criação protetora em excesso pode
prejudica-los ao invés de beneficiá-los, mais ainda quando tal conduta não se
limita às primeiras idades, mas se estende até a juventude dos filhos.
Esta situação cria uma dependência total dos pais e, por isso, quando são adultos, os filhos costumam ter dificuldades nos seus
empregos e na tomada de decisões importantes, como tornarem-se independentes ou
contrair matrimônio.
A superproteção pode criar alguns vazios no âmbito psicológico,
como imaturidade, insegurança, dependência, fraqueza, nervosismo, timidez,
intolerância ao fracasso, pouca capacidade de adaptação, dificuldade de
resolver problemas, incapacidade de assumir responsabilidades e relacionar-se
com os outros.
Os pais devem também permitir que os filhos cometam seus
próprios erros, porque eles trazem aprendizados. Mesmo as decepções e
sofrimentos, como não entrar para o time do colégio, ser o último colocado numa
competição ou ficar de castigo na escola, são situações com as quais a criança
precisa lidar, para enfrentar posteriormente as dificuldades bem mais sérias
que encontrará na vida adulta.
Assim como é muito importante, claro que, para chegar lá, os pais precisam vencer os próprios medos. Mas outros temores podem ser exagerados, como por exemplo, a desconfiança excessiva de estranhos, acentuada por notícias recorrentes sobre pedófilos ou sobre sequestros.
Assim como é muito importante, claro que, para chegar lá, os pais precisam vencer os próprios medos. Mas outros temores podem ser exagerados, como por exemplo, a desconfiança excessiva de estranhos, acentuada por notícias recorrentes sobre pedófilos ou sobre sequestros.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Você já pensou que seu companheiro (a) nunca irá mudar?
Pois
então, ninguém muda ninguém. As mudanças são escolhas próprias. É desnecessário
dizer que somos há dez anos atrás. Aquela
época que você era jovem universitário, cheio de sonhos, que se dava o luxo de
gastar em suas economias em baladas, compras, sem se importar com o resto do
mundo. Hoje, temos contas para pagar, as responsabilidades aumentaram, e as
ambições transformaram. Na realidade, vivemos em uma grande metamorfose
constante.
Será que isso tudo soa errado?. O impulso de mudar as pessoas
que gostamos parece se contrapor ao espírito do amor. Se amamos e somos amados,
por que seria necessária ou importante qualquer mudança? Amar não é exatamente
aceitar o ser de uma forma inteira, em seus pontos altos e baixos?
A ideia de querer mudar nossos parceiros
soa perturbadora porque, coletivamente, temos sido profundamente influenciados
por uma concepção Romântica do amor. Essa concepção afirma que o principal
indicador da presença do amor é a capacidade de aceitar a outra pessoa em sua
totalidade, com seus lados bons e ruins – e, em certo sentido, particularmente
em seus lados ruins. Precisamos aceitar a pessoa como um todo para nos sentir
dignos da emoção que atestamos sentir.
Em certos momentos de relacionamento, há um sentimento
particularmente comovente e enternecedor de ser amado por coisas pelas quais outros
já nos condenaram ou não reconheceram. Ao longo da vida, estamos sempre
conscientes de que há coisas a nosso respeito que outras pessoas podem não
gostar muito – e tentamos nos proteger da crítica e do desdenho. Por isso, nos
excitamos quando nossos amores tratam certos defeitos de forma generosa.
Qualquer
desejo de mudança, de acordo com essa ideologia Romântica, precisa nos
deixar tristes, chateados e causar profunda resistência. Parece uma prova de
que não podemos ser amados, de que algo terrível deu errado – de que se deva
terminar a relação…
Assim como, deveríamos parar de nos
sentir culpados por querer mudar nossos parceiros e não deveríamos nunca
ressentir nossos parceiros por querer que mudemos. Esses dois projetos são, em
teoria, extremamente legítimos, e até mesmo necessários. O desejo de corrigir
nosso amor é, de fato, totalmente fiel à tarefa essencial do amor – ajudar
outra pessoa a se tornar uma versão melhor dela mesma. O amor deveria
ser uma tentativa de crescimento mútuo de duas pessoas buscando alcançar seu
potencial pleno – nunca um mero cadinho em que se busca confirmação para nossos
defeitos.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
LIBRAS no Consultório?
Libras,
para quem não conhece, é a Língua de Sinais. É um instrumento muito importante,
pois amplia as possibilidades de comunicação melhor no atendimento entre
psicólogos e os pacientes surdos. Neste sentido, percebe-se também a
importância de qualificação para a população com surdez, pois a intervenção do
psicólogo em sua maioria é voltada para intervenção oral-auditiva e não
gestual-visual.
Infelizmente, muitos surdos não possuem acesso ou nunca tiveram
oportunidades aos serviços psicológicos, seja por condições financeiras, ou porque
a administração pública não oferece esse tipo de atendimento.
O profissional não deve ser limitado a técnicas a serem aplicadas.
Aprender Libras é adaptar as modalidades de acolhimento psicológico, promover o
acesso ao cuidado de saúde, e reduzir as barreiras comunicativas, favorecendo a
inclusão social desses indivíduos.
Não é somente o ensino de uma teoria/história que
permita a crítica às diferentes psicologias que fará esta pluralidade de
concepções avançar como ciência e profissão. Além disso, a formação do
psicólogo deve propiciar a produção do conhecimento no processo de aprender,
transformando a realidade, sistematizando e trocando idéias, através de
materiais escritos pelos estudantes que gerem polêmica, re-estudos, novas
elaborações. Teorias e práticas devem se articular. As implicações políticas,
culturais e ideológicas das práticas devem se constituir como pontos de
reflexão. Os professores devem se expor, explicitando o fundamento daquilo que
ensinam e a inconsistência das teorias que estudam. Mais do que em qualquer
campo do conhecimento, os especialistas precisam desenvolver uma visão de
totalidade e romper com os limites de suas áreas, problema sério na psicologia.
Considerando dados do senso do IBGE de 2000, em que 4.685.655 de
pessoas residentes no Brasil, apresentam alguma dificuldade permanente de
ouvir, é necessário reconhecer a diferença cultural do povo surdo, e perceber a
cultura através do reconhecimento de suas diferentes identidades, histórias,
subjetividades, línguas, a valorização de suas formas de viver e de se
relacionar, de modo a retirar essas pessoas da invisibilidade/exclusão
(Strobel, 2008).
Em meio às divergências de línguas e culturas, o psicólogo deve
habilitar-se para atender as demandas que possam surgir no ambiente
terapêutico, buscando uma formação teórica e metodológica que lhe permita
compreender seu objeto de estudo (Conselho Federal de Psicologia, 2005)
Há uma relevância do contato com a disciplina na formação, confirmado
pelo Decreto 5.626/2005, que dispõe a Língua Brasileira de Sinais – Libras como
disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação, acendendo uma visão
de inclusão/integração.
Ressaltando sobre os projetos de políticas públicas são
considerados dispositivos que ampliam as práticas de inclusão, viabilizando a
montagem de um sistema de inserção eficaz de profissionais a redes sociais de
atenção. Nesse caso, deve-se adaptar o psicólogo para a diversidade de demandas
apresentadas na sociedade, favorecendo tanto o profissional, quanto o usuário
do serviço, numa tentativa de tornar possível o acesso igualitário.
Sendo assim, há uma contribuição importante para a compreensão das
questões relativas ao atendimento psicológico instrumentalizado frente ao
surdo, levantando a possibilidade de inclusão efetiva a partir da implementação
de leis, políticas públicas favorecidas ao surdo.
Pode-se concluir que são necessárias novas pesquisas para ampliar
o leque de temáticas nesse contexto, atentando para a saúde psicológica de
todos, com um enfoque para os surdos, por já possuir uma visão diferenciada dos
demais, e a instrumentalização desses profissionais para assistir essa
população minoritária.
Referência Bibliográfica
- Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Ed. Brasília, 2005
- LEI Nº 10.436, de 24 de Abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providência de : http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm
- STROBEL, K. Entrevista concedida ao blog Vendo Vozes, 2008. Pesquisado em : http://www.vendovozes.com/2008/03/entrevista-exclusiva-karin-strobel.html
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Aluno com deficiência Auditiva - o que faço?
Paula
Pfeifer, dona das palavras do livro Crônicas da Surdez e também blogueira. Foi
diagnosticada de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva
aos 16 anos. O contrário de mim, que fui diagnosticado aos 3 anos de idade, por
uma amiga da minha mãe , que é fonoaudióloga, na época esta profissão era um
bicho de sete cabeças. Hoje, tão comum para vários motivos que trás benefícios,
não somente para perdas auditivas.
Como conheci
a Paula? Então...conheci através do livro (m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o) chama-se
Crônicas da Surdez, comprei no período da feira do livro, no ano passado, e através da boa leitura,
fiquei curioso em saber mais sobre a autora, e procurei pela internet. E o mais
legal de tudo, é que também tem o canal do Youtube, onde busca esclarecer
muitas duvidas dos leitores e profissionais, através de conversas com
profissionais médicos e usuários de aparelhos auditivos etc.
E neste
mesmo blog, tem um post muito bacana, que pode contribuir muitos
professores/educadores para sala de aula. Sei que, existem muitos despreparo no
ambiente escolar. E quando surge um desafio, é hora de entrar em desespero.
Sempre é bom estar preparado, mas, a vida é cheio de surpresas, não é mesmo?
Mas então, no link abaixo, deixo a sugestão do blog da Paula, com as dicas ótimas e também para os
interessados, explorarem no blog.
Blog Crônicas da Surdez: http://cronicasdasurdez.com/dicas-professores-deficiencia-auditiva/
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Você conhece teus filhos?
O Brasil inteiro
acompanhou as noticias de Suzane Richthofen e os irmãos cravinhos. Mas a final,
o que passou na cabeça da Suzane e o que incentivou a planejar o crime?
Entre
estas e outras perguntas, a noticia parece um roteiro de novelas, no horário
nobre e garante sucesso do público na Rede Globo. É tão semelhante como os
personagens, como por exemplo, uma jovem
rica, bonita , inteligente e que se apaixona por um sujeito oposto da sua vida,
mas acha excitante viver aquela malandragem sem fim.
Uma
jovem como Suzane, na época tinha 19 anos, era estudante de Direito da PUC em
São Paulo, filha de pais intelectuais e herdeira e um grande patrimônio. Além
da Suzane, tinha mais um irmão, mais novo. Foi quando, o planejamento de Suzane
e Daniel cravinhos, na época tinha 21 anos, a morte dos pais com ajuda de irmão
de Daniel com Barras de ferro previamente reforçadas com pedaços de madeira e
espancaram o casal até a morte.
No
caso de Suzane, e outros que encontramos diariamente nas redes sociais ou
noticias, o crime violento não foi um impulso, mas o último capítulo de uma
tragédia crescente, que seguiu um ciclo vicioso: quanto mais os pais se opunham
ao namoro, mais o jovem casal se unia e mais insistentes se tornavam as ameaças
paternas para separá-los.
Entre
as várias perguntas que o fato sugere, uma remexe com o estômago de qualquer
um: por que assassinar cruelmente e não, simplesmente, ir embora? O que fez com
que esses dois jovens não pudessem encontrar outra forma de enfrentar a
oposição ao namoro e incluíram a violência? Até agora, os principais envolvidos
não ofereceram resposta para isso. Suzane alega estar apaixonada, a ponto de
afirmar, durante interrogatório policial, que Daniel se transformara em uma
obsessão. Diante as declarações que, ao lado das informações sobre o consumo de
maconha, entretêm a mídia e a opinião pública, mas pouco acrescentam para
explicar o caso. Antes disso, elas caem
como uma luva para uma alegação de crime passional cometido sob efeito de
entorpecente, que parece ser a estratégia da defesa de Suzane para conseguir
uma pena mais branda e tratamento mais simpático da imprensa. Sem defesa e sem
estratégia, os irmãos Daniel e Cristian já admitiram que pensavam na herança.
Para
entender a motivação de Suzane, um caminho possível é identificar os fatores de
risco aos quais ela esteve exposta e como ela se comportou frente a cada um
deles. A explosão da violência nesses casos pode ser sintoma de psicopatia: um
distúrbio de personalidade que decorre de um problema neurológico congênito ou
de um trauma. O comportamento anti-social e os problemas de relacionamento com
a família ou com amigos são, geralmente, indicadores desse distúrbio.
Para o futuro de
Suzane, a resposta é especialmente importante, uma vez que o tipo da pena e sua
duração dependem da sanidade mental do infrator. Se for considerada incapaz de
compreender o caráter ilícito do seu ato, ela estará isenta da condenação, como
diz o artigo 26 do Código Penal.
Só
um laudo específico e detalhado, que deve incluir exames laboratoriais,
psicológicos e psiquiátricos, vai determinar o estado neurológico de Suzane.
Por enquanto, os especialistas traçam hipóteses.
Sob a
aparência saudável, os sociopatas contam com capacidade intelectual normal ou
acima da média, percepção aguda e linha de pensamento sem alterações. A parte
doentia, no entanto, demonstra um desprezo pelas obrigações sociais, nenhum
sentimento de empatia pelas outras pessoas, dificuldade em controlar impulsos e
um amor-próprio exacerbado. Ou seja, transtornos sociopatas podem ser
identificados na insensibilidade e na falta de afetividade. Essa
insensibilidade diante da culpa foi testada, submetendo sociopatas criminosos a
cenas estressantes e medindo sua resposta fisiológica.
Assim
como, a origem da doença ainda é um mistério. Se
os números mostram o quanto são raras as doenças que levam ao comportamento
agressivo extremo, os neurocientistas apresentam uma teoria estatisticamente
muito mais provável para o desencadeamento da violência em pessoas
aparentemente normais. Segundo especialistas, destacam que cerca de dois terços
do aprendizado humano derivam da interação social. Nessa batalha entre o
impulso violento e a trava social, vence o lado que tiver mais força e
influência em nossas vidas. Quando prevalece o impulso, o corpo se prepara para
o ataque, que nem sempre é instantâneo, irracional. Transpostas as travas, o
monstro está à solta e pode aguardar à espreita, entre férulas e sombras, o
momento do bote.
sábado, 7 de maio de 2016
Reflexões sobre maternidade - Existem mães perfeitas?
Você sabia que,
na idade média, não existia o sentimento de infância? Pois então, os séculos
XII e XV, o sentimento de infância era como consciência da particularidade
infantil capaz de distinguir a criança do adulto: logo que a criança era capaz
de dispensar a ajuda da mãe ou da ama, depois de um desmame tardio que
acontecia por volta dos sete anos de idade, ela ingressava na comunidade dos
adultos: participava dos jogos e dos trabalhos e seus trajes também não a
diferenciavam dos mais velhos, pois assim que deixava o cueiro, se vestia como
os outros homens e mulheres, embora as roupas mostrassem a hierarquia social. O
sentimento de infância começa a aparecer no século XVI numa atitude
diferenciada em relação à criança que começa a ser difundida nos séculos XVI e
XVII. Nesse último, a noção de “família” remetia à fidelidade dos servos e a
“criança” era definida como um adulto em miniatura.
O cuidado dispensado aos pequenos
passou a inspirar novos sentimentos e a nova atitude parental envolvia
paparicos e focalização da criança como fonte de distração dos adultos. As
crianças começam a receber nomes próprios e a saber quantos anos têm, assim
como os pais passam a considerar importante saber quantos são os seus filhos.
Surge uma especificidade deste período da vida, expresso pelos novos lugares
que lhe são determinados nos cômodos das casas, na dimensão dos móveis, nas
atividades que lhe seriam proibidas. E há também um lugar entre os saberes,
justificando uma medicina especializada e uma pedagogia que lhe sejam próprias.
No século XVIII começa a surgir uma preocupação com a higiene e a saúde física,
inspirada pelas ações médicas: a designação específica do campo da Pediatria
surge em 1872.
O
conceito de amor materno foi assimilado de forma contundente, e por muito tempo
não questionável. Afirmava-se que a necessidade de maternagem é uma
característica universal feminina, fazendo-a parecer um dom, um sentimento
instintivo e estritamente biológico que todas as mulheres vivenciariam
independentemente da cultura ou da condição sócio-econômica: pré-concebido,
pré-formado, esperava-se apenas a ocasião para exercê-lo, sofrendo-se quando a
oportunidade tardava. Sob o domínio exclusivo dos pressupostos biológicos
instintivos, não era possível considerar também aspectos psicológicos ou
sócio-culturais e os especialistas não conseguiam explicar como esse imperativo
biológico se manifestava em algumas mulheres e em outras não.
As
mulheres que não possuíam desejo de amamentar fugiam à norma sendo
classificadas em termos de exceções patológicas ou desvios. Maternar, desde os
primórdios da humanidade, foi considerado uma função principalmente feminina, a
diferença é que até o século XVIII esta não possuía caráter obrigatório e
àquelas mulheres a que era imposta a maternidade não garantia gloria ou
reconhecimento. Mais especificamente em relação à amamentação, muitas se
negavam sob argumentos de diferentes ordens: que era um ato despudorado; que
perderiam a beleza, fundamental à existência; e também que não era digno. A filosofia das
luzes trouxe uma nova linguagem, em que não se falava em dever, obrigação e
sacrifício sem reconhecimento, baseando-se para tal na igualdade, no amor e na
felicidade. O patriarcado abstrato e absoluto foi, então, substituído por uma
concepção mais igualitária onde o bem estar físico da criança justificava a
autoridade do pai e da mãe: o amor passa a ser o regente das relações entre
pais e filhos, onde respeito e a afeição devem ser recíprocos.
No
século XX, a mãe, anteriormente restrita a uma função geratriz, assumiu também
o papel de educadora e passou a ter uma função social. Cabia à mulher a
responsabilidade pela saúde e pelo bem-estar dos membros da família e
ampliava-se sua responsabilidade como dona de casa no controle dos filhos. A ela
foram delegadas, também, responsabilidades pelo desenvolvimento emocional dos
filhos.
A mãe "perfeita e normal" devia
mostrar-se paciente e dedicada, atenta a todas as necessidades de seu filho,
totalmente devotada e qualquer afastamento desse padrão acarretava sentimentos
de culpa ou frustração. A mãe ideal encarregava-se insistentemente de tudo,
assumindo sozinha a educação completa dos filhos: não deveria ter um sono muito
pesado, deveria não pensar no marido, o seu instinto era infalível e permitia
que apenas ela soubesse a hora exata de misturar as batatas com a carne. Ser
mãe não deixava tempo livre para a mulher, que se tornou aprisionada no papel
de mãe, nos cuidados infantis a que estava obrigada. Tal condição, entre
outras, detém novamente a mulher no lar e arrefece a independência feminina
decorrente da recente emancipação do patriarcado.
Suas
responsabilidades não se restringiam à criança propriamente dita, mas
desempenhavam um papel determinante no futuro de seu filho: se ele se tornasse
um criminoso ou apresentasse qualquer tipo de deficiência física ou emocional,
já se sabia quem deveria ser colocado no banco dos réus. A mãe se tornaria
responsável não só por qualquer ato inconveniente do filho, mas também do
marido, freqüentemente desculpado por não encontrar suporte ou aconchego ao
chegar em casa: um ambiente agradável, um chinelo quente e uma comida bem
feita.
Claramente,
é importante notar que as tradições foram se construindo de modo a estabelecer
uma rígida divisão sexual do trabalho que subordinou a mulher às exigências do
lar e ao cuidado da família. Os novos padrões normativos de comportamento
promoveram uma modificação radical das imagens e dos papeis materno e paterno.
O exercício da maternidade possibilitou às mulheres encontrarem uma função
determinada, de um prestígio até então desconhecido. O caráter de novidade
centrava-se na percepção do "ser mãe" naturalmente vinculada à
feminilidade e na abertura de novas possibilidades que o exercício da função
materna permitia. Houve um deslocamento do poder paterno, que passou a ser
partilhado com a mãe. O pai devia exercer uma boa influência sobre o filho, ter
um bom caráter e reputação e aquele que desse um bom exemplo estaria cumprindo
seu dever. Era bem visto o homem que participasse da educação de seu filho ou
fosse seu primeiro professor, mas tal fato, na maioria das vezes, não acontecia
por lhes faltar tempo e em muitos casos, vontade.
Sendo
assim, ao analisar os movimentos que influenciaram a construção do ideal
materno procura-se auxiliar uma reflexão e uma desconstrução de um ideal
utópico que, em realidade, muito dificulta às mulheres agir frente à
maternidade mais livremente. Independente do fato da mulher possuir um trabalho
extra-lar, a exigência de dedicação total e incondicional é cruel, impondo
àquela uma anulação de sua subjetividade e de seus desejos, já que para tal ela
substituiria a condição de mulher (um papel multifacetado que inclui o materno)
pelo de mãe em tempo integral. A conseqüência é o adoecimento feminino, seja
pela tentativa de alcançar esse ideal, deixando de lado sua subjetividade ou,
então, uma opção pelos seus desejos e uma terrível culpa.
É
necessário desacreditar que a maternidade é superior à paternidade, mas para
tal é preciso desmistificar a amor materno inato e tomar o do pré-suposto de
que o amor paterno também é semeado, alimentado e aprendido no trato diário com
os filhos e que em nada difere, em possibilidade, do amor materno. Considerar
ambos os “amores” conquistados, legítimos e de igual qualidade não equivale a
dizer que não haja diferenças entre as funções maternas e paternas, pois elas
têm suas especificidades.
Além
dos pais introduziram-se os avós, as babás, as novas madrastas e os
profissionais de creche na diversificação dos agentes promotores de cuidados na
primeira infância, o que se tornara raro a partir da propaganda higienista, de
modo que no contexto das transformações contemporâneas observadas nas famílias
predomina uma nova idealização: quando as atividades de cuidado infantil são
divididas pelos pais, existe mais tempo para ambos se dedicarem ao trabalho
profissional, a atenção aos filhos e à própria relação conjugal numa busca
compartilhada da felicidade pessoal.
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