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terça-feira, 18 de outubro de 2016

As escolhas da vida.


As escolhas durante a vida, sempre nos apresenta de uma forma diversificada e às vezes, nos surpreendem. Há aqueles que tem suas preferências, como o inverno e aqueles que detestam, aguardando loucamente pelo verão.
Também tem aqueles, a paixão pela cidade barulhenta. Há também que não suportam uma semana sem cinemas, shoppings e confortos. Há porém aqueles que mal conseguem esperar o próximo feriadão para partir em direção a praia ou interior (campo).
Com estas “escolhas”, há também aqueles que não conseguem viver sem o companheiro, uma mulher, namorado, uma paixão. Em contrapartida, há aqueles que são solitários por opção, que relacionamentos amorosos são chatos, sofridos, e incomodativos. Mas será que é uma questão de “escolhas” ou estilo de vida?
O que será que acontece esta tal atitude, quando rejeitamos o relacionamento amoroso, traz consigo algum bloqueio, medo, limitação ou mesmo uma patologia da alma ?
Escolhas que sempre estão à nossa frente, nos deixando às vezes em um turbilhão de dúvidas e medos. Se aprendermos a escolher perceberemos que é a nossa vontade que cria nosso estado interno e externo. Se tivermos consciência disso, usaremos nossa vontade a favor de nós mesmos, pois ela pode restaurar-nos em segundos, se assim desejarmos.
A vida nada nos ensina, nós é que escolhemos o que queremos aprender com ela. E ai, vamos perceber que há jardins ainda não cuidados, e flores necessitando de cuidados nos campos interiores que nos habita.  
Reconhecer o tentar reparar o erro através de recursos disponíveis dentro de si mesmo, é ponto-chave para iniciarmos uma reforma da vida, a fim de definirmos um novo destino, uma nova conduta, uma nova estrada e assim reescrevermos a nossa estória, desta vez mais experientes. Para este fim, é necessária uma “auto reforma”. A auto reforma ou reforma pessoal, é um compromisso consigo na mudança.  
Assim como, na psicoterapia, é refletindo junto com o terapeuta, que cada ação traz resultados coerentes de acordo com o que foi feito e escolhido por cada um, não podendo ser diferente, será? No entanto, escolher exige responsabilidade e sacrifícios. Não podemos querer tudo e abraçar o mundo, mas é necessário fazer escolhas.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Crianças aprendendo com os próprios erros

Muitos pais desejam que seus filhos tenham o perfil de aluno exemplar é composto por notas altas, comportamento excelente e um ótimo relacionamento com colegas e professores. Mas, no dia a dia, sabemos que essa junção de qualidades e acertos não é fácil de ser alcançada e, na maioria dos casos, nem precisa ser.
Errar, falhar e se deparar com dificuldades faz parte do processo de aprendizagem e formação do cidadão. Os alunos precisam passar por experiências de falhar na escola, para que aprendam a se reerguer em situações mais delicadas na vida adulta. Como também, não é importante ter só a experiência de falhar, mas de poder fazê-lo em um ambiente seguro, para que a experiência possa ensinar algo ao aluno.
Cada estudante tem o seu tempo e suas caraterísticas individuais que devem ser respeitadas, por isso, não se pode esperar que todos os alunos alcancem ao mesmo tempo o desempenho almejado pela instituição. Para alguns, o percurso até a internalização do conteúdo pode ter erros e dificuldades e isso não pode ser encarado de forma negativa. O errar, não como um hábito ou um fim em si mesmo, mas como um processo natural composto por erros e acertos, é o que proporciona os aprendizados mais significativos, seja na escola ou futuramente na vida pessoal e profissional do estudante.
A difícil incumbência de não repreender os erros e sim ensinar as crianças e os jovens a lidarem com as falhas e dificuldades presentes no dia a dia escolar, faz parte da lista de desafios dos educadores nos dias de hoje.
Todos nós já erramos em algum momento da vida e até os gênios como Albert Einstein e Leonardo da Vinci erraram. Porém, o que fez com que eles se tornassem referência em toda a humanidade foi a capacidade de observar os próprios erros e a partir deles encontrar os grandes acertos, em vez de punir-se ou culpar-se por terem errado.
Sendo assim, o erro e a falha são naturais dos seres humanos e, desde que conduzidos de forma construtiva, podem contribuir e muito para o crescimento e formação integral do aluno. Por isso, é preciso que os educadores insiram em suas práticas pedagógicas a valorização do erro, permitindo que o estudante obtenha novos aprendizados a partir de onde ele falhou.
Parte-se do pressuposto de que a desmotivação interfere negativamente no processo de ensino-aprendizagem, e entre as causas da falta de motivação, o planejamento e o desenvolvimento das aulas realizadas pelo professor são fatores determinantes. O professor deve fundamentar seu trabalho conforme as necessidades de seus alunos, considerando sempre o momento emocional e as ansiedades que permeiam a vida do aluno naquele momento.
Satisfeitas as necessidades fisiológicas e de segurança, surge a social ou de participação. Como o homem é um ser social, precisa ter um grupo de convívio em que é aceito e desempenha um papel. Porém, esse papel não é qualquer um, surge, então a necessidade de estima, tanto a auto-estima como o reconhecimento pelos outros. A satisfação dessa necessidade produz sentimentos de confiança em si mesmo, de prestígio, de poder, de controle.
Quando não satisfeita pode produzir comportamento destrutivo ou imaturo para chamar atenção. O indivíduo pode se tornar rebelde, pode negligenciar seu trabalho ou discutir com os companheiros.
Colocar limites, também, é fazer a criança compreender que seus direitos acabam onde começam os direito dos outros; dizer sim, sempre que possível, e não sempre que necessário; mostrar que muitas coisas podem ser feitas e outras não; ensinar a tolerar pequenas frustrações, no presente, para que, no futuro, os problemas da vida possam ser superados com equilíbrio e maturidade. Muitos pais pensam, erroneamente, que dar limites é bater nos filhos, para que eles se comportem; ser autoritário; deixar de explicar o “porque” das coisas, apenas impondo “a lei do mais forte“; gritar com as crianças para ser atendido; invadir a privacidade a que todo ser humano tem direito etc.
             Assim como, é possível notar que as crianças passam por fases durante seu desenvolvimento e estas devem ser respeitadas pelos pais, professores, amigos, enfim, por todos à sua volta. É importante que, principalmente, os pais conheçam essas etapas do desenvolvimento, para melhor compreender seus filhos e suas atitudes. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A importância do papel do Psicólogo no tratamento do Câncer de Mama.

Apesar dos avanços da medicina no tratamento do câncer e do aumento de informações veiculadas pela mídia, o câncer ainda equivale, muitas vezes, a uma "sentença de morte", comumente associado a dor, sofrimento e degradação. O texto de hoje, nos mostra que o câncer sempre foi percebido como algo vergonhoso, sujo, contagioso e sem cura, sendo uma doença tradicionalmente relegada pela sociedade. O diagnóstico de câncer e todo o processo da doença são vividos pelo paciente e pela sua família como um momento de intensa angústia, sofrimento e ansiedade. Além do rótulo de uma doença dolorosa e mortal, o paciente comumente vivencia no tratamento, geralmente longo, perdas e sintomas adversos, acarretando prejuízos nas habilidades funcionais, vocacionais e incerteza quanto ao futuro.
Muitas fantasias e preocupações em relação à morte, mutilações e dor encontram-se presentes. No câncer de mama, além das preocupações citadas acima, encontram-se presentes outras angústias ligadas à feminilidade, maternidade e sexualidade, já que o seio é um órgão repleto de simbolismo para a mulher. Sendo assim, o anúncio desse diagnóstico, seguido pelos tratamentos, pode ocasionar abalos significativos na vida da paciente. Dessa forma, essa patologia é considerada um dos maiores problemas de saúde pública associado ao câncer em mulheres nesse país. No entanto, é um tipo de câncer que possui uma significativa possibilidade de sobrevida quando detectado precocemente.
Qualidade de vida é aqui definida como "um conceito multidimensional que é mensurado como uma avaliação subjetiva do status de saúde e do bem-estar em diferentes setores da vida, incluindo componentes físicos e psíquicos. Dessa forma, a atuação do psicólogo é fundamental ao longo do tratamento, já que sua prática visa o bem-estar emocional da paciente, contribuindo assim para uma boa qualidade de vida.
A partir do diagnóstico confirmado, a paciente vê sua vida tomar um rumo diferente do que poderia imaginar, já que o câncer pode acarretar alterações significativas nas diversas esferas da vida como trabalho, família e lazer. Dessa forma, acaba trazendo implicações em seu cotidiano e nas relações com as pessoas do seu contexto social.
Essa realidade que impera faz com que a paciente e seus familiares assumam papéis que não foram escolhidos e sim impostos pela fatalidade do adoecimento, interrompendo planos, ideais e perspectivas futuras. A constante adaptação às mudanças ocorridas devido ao adoecer torna-se necessária.
Por sua vez, saber que tem uma doença sem causa definida traz ainda mais angústia e culpa. Vislumbrar o futuro passa a ser muito doloroso, já que os tratamentos propostos implicam em possível mutilação, náuseas, vômitos, alopecia, além de alterações sexuais e reprodutivas, como a menopausa precoce.
 As questões mais comum são apresentadas e abordadas por ela: perda do controle sobre a vida, mudanças na auto-imagem, medo da dependência, estigmas, medo do abandono, raiva, isolamento e morte. O medo da progressão da doença e da recidiva6 são outras preocupações constantes.
Assim como, o psicólogo atuante na área da saúde visa manter o bem-estar psicológico do paciente, identificando e compreendendo os fatores emocionais que intervêm na sua saúde. Outros objetivos do trabalho desse profissional são prevenir e reduzir os sintomas emocionais e físicos causados pelo câncer e seus tratamentos, levar o paciente a compreender o significado da experiência do adoecer, possibilitando assim re-significações desse processo. Em sua atuação, o psicólogo deve estar atento também aos distúrbios psicopatológicos, como depressão e ansiedade graves. Sua prática é exercida em todas as etapas do tratamento, como dito anteriormente, habilitando o paciente a confrontar-se com o diagnóstico e com as dificuldades dos tratamentos decorrentes, ajudando-o a desenvolver estratégias adaptativas para enfrentar as situações estressantes. Por fim, o principal trabalho do psicólogo serão alcançados na medida em que esse profissional vai compreendendo o que está envolvido na queixa do paciente, buscando sempre uma visão ampla do que está se passando naquele momento não escolhido da vida dele

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Rejeição.

        A rejeição é um sentimento tão intenso quanto à dor, é natural sentir-se sozinho e abandonado, mas este sofrimento pode ser amenizado.
          A dor causada pela rejeição talvez seja um dos sentimentos mais difíceis de ser superado.Trata-se de uma dor tão intensa que se assemelha a dor física, mas não há medicamento que a cure ou comportamento que a previna. Não há uma resolução rápida, prática e pontual que possa dar conta dessa sensação. 
    O sentimento da rejeição pode aparecer a qualquer momento e em qualquer área da vida interpessoal: entre casais, amigos, família ou no ambiente escolar e de trabalho. Trata-se de um sentimento natural e cada pessoa sente a rejeição de uma forma diferente, variando de acordo com a educação recebida, a cultura e sociedade em que está inserida e a personalidade individual. 
          Todos as pessoas, em algum momento da vida,  já foram rejeitadas um dia: como namoro; no grupo de pessoas em que não se sentiu aceito; entre outros.
        Ainda que esse processo seja doloroso para todos, alguns conseguem superar esse fato com maior facilidade, outros sentem dificuldade e algumas vezes por não conseguir lidar com isso acabam se fechando para a vida.

Por que nos sentimos rejeitados? 
        O desejo de ser aceito e incluído em grupos sociais ou o desejo de viver um relacionamento amoroso é importante para o indivíduo, pois são nessas relações que ocorrem diversas experiências e vivencias para o amadurecimento humano. Entretanto, em alguns casos há uma excessiva importância dada à opinião e aos valores dos outros e a pessoa torna-se dependente de aprovações externas. Passam a agir de acordo com o que acreditam ser o desejo do outro, tendo a ilusão de que desta forma estarão seguras da solidão e de um possível abandono. Não é raro perceber que deixam de fazer coisas pelo medo de ser rejeitada, até por pessoas que não têm nenhuma ligação emocional.
     Com a falta de estrutura interna necessária para lidar sozinha com aquilo que pensa, sente ou deseja, a autoestima da pessoa tende a permanecer rebaixada, ficando mais vulneráveis à rejeição.
        Em geral a pessoa com a dor da rejeição sente-se ansiosa, magoada, ofendida ou com raiva de si ou do outro. Muitas vezes busca a qualquer custo entender o porquê da rejeição, e como não encontra nenhuma explicação que lhe faça sentido naquele momento, sente-se culpada e acaba se desvalorizando (“Será que eu falei ou fiz alguma coisa que a outra pessoa não gostou?” ou “Acho que não sou boa o suficiente”). Em alguns casos surgem também desejo de pose ou vingança (“Não vou admitir que aquela pessoa fique com mais ninguém”) ou ideias suicidas.  É preciso estar atento a estes sinais, pois muitas vezes a dor torna-se pesada demais para ser suportada sozinha e procurar ajuda para o tratamento adequado é essencial.
         Por fim, é natural que diante da rejeição surjam sentimentos de tristeza, solidão e abandono, mas é preciso estar consciente de que atribuir ao outro a responsabilidade integral pelo próprio bem estar, é sentir-se rejeitado cada vez que algo for negado. Acreditar que a outra pessoa deve assumir e suprir as suas próprias necessidades retrata uma atitude quase infantil e inconsciente de acreditar que são elas que devem comandar sua vida. 
         A psicoterapia poderá ajudar quem se sente rejeitado a compreender e elaborar este sentimento, entender que às vezes o outro pode dar ou não a resposta que deseja e como superar esta frustração. 
O processo psicoterapêutico poderá ajudar a pessoa a se tornar mais independente e responsável pelo seu próprio potencial para ser feliz. Por meio do amadurecimento e da descoberta de quais são os seus verdadeiros desejos e valores, este é um processo que auxilia na construção de recursos internos para lidar com limites e com o sentimento de frustração e impotência. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Crise ou Oportunidade?

A Crise atual, seja econômica e política, inflação, desemprego, juros altos, inflação, etc. Não está sendo fácil viver no Brasil neste momento. Cada vez mais, vemos pessoas e famílias afligidas pela incerteza causada por esse cenário atual.
 Muitos já estão desempregados e outros estão assombrados pelo fantasma do desemprego, o que é terrível para a saúde mental e, com isso, as pessoas começam a adoecer. A tensão impera, o estresse é constante e a desesperança começa a tomar os pensamentos.
Os profissionais da saúde já começaram a notar um aumento da busca por tratamento. Algumas pessoas relatam estarem mais ansiosas, preocupadas, tensas e irritadas. Já outras se queixam de estarem se sentindo sem energia, sem esperanças e cheias de pensamento negativos.
Ninguém quer ou merece viver assim! Mesmo estando desempregado ou passando por uma situação difícil é preciso enxergar a luz no fim do túnel. Precisamos aprender a olhar para dentro e buscar uma forma de acalmar os ânimos. Será que um momento de dificuldade realmente significa a ruína completa? Será que a preocupação com algo que nos foge ao controle ajuda?
É tempo de respirar fundo, aquietar a mente e focar nas possibilidades. Deixar-se levar por emoções e pensamentos ruins não trará solução para qualquer problema e pode tornar tudo ainda mais difícil.
Muitas vezes, vemos pessoas agirem assim. Uma falha na mente não nos permite perceber o que, realmente, está acontecendo. É como tentar resolver um problema com um outro. Isso fica muito claro quando pensamos naquelas pessoas que usam o álcool ou outra droga para, repetidamente, “se curar” dos problemas. Além de não de resolverem o problema, acabam criando outros, como a dependência destas substancias.
Podemos aprender a perceber a vida e a nós mesmos com outros olhos. Podemos nos desvencilhar de padrões de pensamento e reações emocionais que não nos trazem benefício algum. Como? Com o auxílio que a psicologia, que pode nos proporcionar um aprendizado que nos é benéfico. Com a ajuda dela, podemos pensar em novas de formas enfrentar situações difíceis, buscar as possibilidades e desbravar outros caminhos.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Insatisfeito com o trabalho.

Se você é daqueles que está com o sentimento “estranho” no ambiente/local no seu trabalho. E deve estar se perguntando, os motivos e tentando encontrar respostas por este sentimento de “estranheza”
Levar no consultório, sintomas de insatisfação no trabalho e ás dificuldades em lidar com seus respectivos líderes e funcionários. Muitas vezes lidar ou gerenciar outras pessoas não é uma tarefa fácil, mas é totalmente possível dar conta das relações profissionais e sociais.
O que também podemos notar, principalmente entre os executivos, está relacionada às questões sociais, conflitos entre funcionários, “como devo lidar com um funcionário teimoso?” “como devo agir com aquele funcionário que não está efetuando seu trabalho de forma adequada?”. Ser assertivo nessas horas pode ser mais difícil do que imaginamos.
Conflitos entre funcionários ou líderes sempre geram sentimentos ruins, aversão, ansiedade e estresse. Mas, antes de julgarmos as pessoas ao seu redor, pense: como você se relaciona no trabalho? E quais os motivos que te geram estresse?
Sempre pensamos que o problema está no outro, mas às vezes precisamos analisar nossos comportamentos e refletir sobre nossas condutas. 
No trabalho, mais do que na vida pessoal, é imprescindível saber lidar com as diferenças, pois é no trabalho que passamos a maior parte do tempo. Com isso, aprender estratégias e saber lidar com as situações incontroláveis e até mesmo com a ansiedade que isso tudo pode gerar, é um dos caminhos que te levam ao sucesso e satisfação pessoal.
Sendo assim, aceitar as diferenças também faz parte de um trabalho árduo, pois o ser humano tende a querer as coisas à sua maneira. Aceitar que as pessoas são diferentes e que podem ser competentes, cada um ao seu modo, pode facilitar sua vida profissional.
Na Psicoterapia, podemos destacar nossas frustações, e refletir como gostaria de trabalhar? Como gostaria, o seu relacionamento com teus colegas? E a vida pessoal? Misturado no meio de questões no trabalho? Tente sempre enxergar as diferenças de desempenho e como fontes de aprendizado, afinal “será que efetuando o trabalho dessa forma, conseguiremos ser mais eficientes?”. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Dificuldade de relacionamento amoroso.

Hoje em dia, nos dá a sensação que é TUDO muito rápido e precoce. Entre duas pessoas, se encontram, sentem-se atraídas, conversam, trocas de olhares e “ficam”. A “ficada” por acontecer naquele dia, no instante da troca de olhares. Mas pode também avançar nos próximos encontros, por dias, semanas. Muitas pessoas já viram isso acontecer com pessoas próximas ou já passaram por essa situação.
Quando acontece de uma forma distante, pela rede social ou sem muitas explicações e sem motivos claros, pode deixar na outra pessoa algumas marcas. Muitas perguntas ficam sem respostas e esse silêncio dá margem para que várias inseguranças surjam. A pergunta “o que será que eu fiz de errado? ” soa cada vez mais forte no imaginário, trazendo angústia e tristeza.  No consultório é freqüente o número de homens e mulheres inseguros em relação ao seu próprio valor, com medo da rejeição e do abandono. E isso tende a ser uma bola de neve, quanto mais inseguro, mais medo de se relacionar e se abrir verdadeiramente para uma relação.
Antigamente, do tempo da minha vó e dos meus pais. Não tinham acesso com tanta facilidade, como hoje nós temos. A tecnologia avança tão rápido. Hoje em dia, muitas coisas de forma rápida e descartável, como comida, fotografia, vídeo, roupas, etc. Usufruímos das coisas sem precisar esperar muito ou se esforçar demasiadamente para tê-las.  
Nesse contexto muitas vezes acabamos transferindo esse comportamento também para as nossas relações. Quem aborda bem esse assunto é o sociólogo Zygmunt Bauman, que aponta a fragilidade das relações afetivas atuais. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas.
A proximidade entre duas pessoas sugere que haverá um relacionamento estável e isso pode incomodar, porque o compromisso exige um esforço real, uma capacidade de lidar com o momento pós-excitação da novidade. Quando nos compromissamos com algo significa que nos importamos com a outra pessoa, que estamos juntos em várias situações, que iremos conhecer os amigos e a família, ou seja, precisaremos nos doar e nos envolver de verdade com o outro, num relacionamento real, com rotina, desagrados e alegrias.
Uma relação também indica que em algum momento teremos que entregar uma parte nossa ao outro e essa parte não temos como controlar, é preciso confiar, confiar que o outro não vai me abandonar, que vai me respeitar, vai ser leal, vai querer o meu bem. Esse momento pode ser muito difícil porque não há garantias que um relacionamento dará certo ou não, e isso é da natureza das relações, só se sabe vivendo.
As relações amorosas são um grande exercício para o amadurecimento pessoal, quando gostamos de alguém temos que nos esforçar para entender a pessoa que amamos, sair da nossa perspectiva e olhar um pouco pela perspectiva do outro, encontrar soluções diferentes para os conflitos, fazer acordos, aceitar o que não aceitaríamos há um mês. Tudo isso contribui para o nosso desenvolvimento pessoal e emocional.
Sendo assim, tudo isso prova que manter relações estáveis e saudáveis fazem bem e promovem a felicidade. Quando há a vontade genuína de se relacionar é preciso entender as barreiras conscientes e inconscientes que impedem um relacionamento real. Às vezes construímos crenças no passado que nos atrapalham hoje, fatores inconscientes podem estar atuando na nossa vida, é preciso querer entende-los e ressignificá-los.
O processo do autoconhecimento é fundamental para mudarmos padrões que não servem mais e nos abrirmos para as mudanças que desejamos. A psicoterapia pode ser uma importante aliada nesse processo, pois ajuda a nos tornarmos mais flexíveis e mais generosos  conosco, construindo uma vida com mais amor e bem-estar.